Este primeiro trimestre do ano, marcado por ser o período pós-festas e pós decoração natalícia, marcado pela preguiça (mas, também, muito trabalho), pelo frio e pela vontade de sofá, manta e chá quentinho, fez com que alguns cantos da nossa casa ficassem mais negligenciados. Não, não deixámos de os limpar. Também era o que faltava, que a preguiça tem limites! Falo de decoração e organização, falo daquela atenção especial que eu gosto de dar à nossa casa. Pois… cantos votados ao abandono: é o caso das varandas e do pátio, da consola na nossa sala, da prateleira sobre a lareira, do carrinho de chá e de tantos outros armários, prateleiras e jarras aos quais retirámos a decoração de Natal e que assim ficaram… Com pouca graça. Os dias maiores, quentinhos e solarengos já se fazem sentir, a preguiça está a ir embora e chegou a hora de deitar mão à casa novamente.

Sim, cá em casa somos designers gráficos de profissão. E sim, os livros, as revistas, a fotografia, a ilustração, a tipografia,… são a nossa companhia diária. Sim, somos daqueles cujos olhos semicerram para entender o equilíbrio, cujo coração acelera quando encontra beleza; sorrimos quando a estética se alia perfeitamente à função e sentimos paixão, um calor dentro do peito, com a forma das coisas, com os materiais, com o traço, com a linha, com as letras e as manchas de texto. Arrepiamo-nos com uma página bonita,…
E é por isso que gostamos de nos fazer rodear por aquilo que mexe connosco, nos faz bem à alma, nos transmite boa energia e nos inspira.

Destas ideias é que eu gosto: aproveitar o que já temos e dar-lhe ares de que acabou de ser adquirido numa loja gira! Depois de tudo o que destralhámos nos últimos tempos, adquiri o hábito de pensar primeiro numa solução de reaproveitamento antes de adquirir algo novo, desnecessariamente, cá para casa. Foi o que aconteceu com a jarra de vidro que hoje partilho aqui. Depois de ver esta garrafa da Zara Home – tão gira! – numas fotografias do catálogo, achei que podia facilmente fazer algo parecido, numa jarra um pouco sem graça, com as sobras da napa que utilizei para fazer esta prateleira suspensa.
E como, esta semana, deitaram abaixo uma árvore aqui da rua, e eu lá fui (claro, não me contive!) recolher um ramo para colocar na “nova” jarra, cheguei à conclusão que era dever cívico partilhar tanta beleza que juntos deram à nossa sala.

Uma das primeiras decisões que tomámos quando viemos para esta casa foi que fecharíamos a lareira com um recuperador de calor de inserir. Uma boa decisão. Até hoje não nos arrependemos de o ter feito. Por isso, olhando para a nossa lareira super acolhedora e quentinha, tomei uma decisão que comuniquei ao nosso homem:
“Vou escrever um artigo acerca de recuperadores de calor.”
“E o que sabes tu desse assunto?” – perguntou ele.
“Hhhhhmmm… sei de experiência própria; sei que quando sugeriste esta solução eu torci o nariz, mas que hoje acho-a perfeita!… e vou informar-me de mais uns quantos pormenores.”

Faltando o cão, caça-se com o gato!… e nós até temos dois para essa tarefa!
Remodelar um espaço pode implicar custos avultados mas, com boa vontade e criatividade, consegue-se excelentes resultados por muito pouco. A nossa sala não tinha iluminação de teto, apenas de parede, o que a tornava pouco iluminada, de noite. No dia-a-dia não nos faz diferença mas, em dias de visitas, não dá para receber as pessoas no lusco fusco. Com o teto de madeira que nós fizemos, resolvemos parte do problema (digo “parte” porque o teto apenas ocupa metade da área da sala). Por isso, tivemos que arranjar diversas formas de trazer mais luz para este espaço – com iluminação de chão, de mesa, de parede, imbutida no teto falso e de “falso teto”, como é o caso deste candeeiro (ou abajur).