{"id":1259,"date":"2016-10-20T18:11:23","date_gmt":"2016-10-20T18:11:23","guid":{"rendered":"https:\/\/52.pt\/blog\/?p=1259"},"modified":"2019-06-19T08:51:07","modified_gmt":"2019-06-19T08:51:07","slug":"dia-das-bruxas-ou-halloween","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/52.pt\/blog\/2016\/10\/20\/dia-das-bruxas-ou-halloween\/","title":{"rendered":"Dia das Bruxas (ou Halloween)"},"content":{"rendered":"<p>Pois \u00e9&#8230; o Dia das Bruxas est\u00e1 quase a\u00ed. Ainda me lembro, quando era pequena, no Minho, ouvir cantar&nbsp;\u00e0 porta da casa da minha av\u00f3&nbsp;&#8220;Bolinhos e bolinh\u00f3s&#8221;. Se abr\u00edssemos a porta, corria tudo muito bem&#8230; se n\u00e3o, ui!, era um chorrilho de asneirada e achincalhamento como&nbsp;s\u00f3 no norte sabem fazer!<br \/>\nIndependentemente da cantoria, havia sempre muitas partidas, que os vizinhos faziam uns aos outros. Lembro-me de ir \u00e0 missa, no dia seguinte, e encontrar&nbsp;os&nbsp;vasos do vizinho na varanda&nbsp;de outro&#8230; e lembro-me das risotas de quem &#8220;n\u00e3o fui eu&#8221;.<br \/>\nDepois de ter ido morar para a cidade (e ter passado a adolesc\u00eancia e juventude) deixei de ligar a essa tradi\u00e7\u00e3o e o Dia das Bruxas n\u00e3o fazia mais sentido. At\u00e9 que, h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, algo em mim aconteceu&#8230; um milagre (&#8220;de Natal&#8221;).<br \/>\nEstava escuro e frio&#8230; e eu deitada no sof\u00e1, a ver televis\u00e3o.<br \/>\nGrupos de crian\u00e7as passavam pela nossa casa, batiam \u00e0 porta&#8230; e eu fingia que n\u00e3o estava ningu\u00e9m.<br \/>\nA Ca era beb\u00e9 e dormia&#8230; e eu at\u00e9 apagava todas as luzes para esquecerem que exist\u00edamos&#8230;<br \/>\nNa rua, a barulheira era infernal!<br \/>\nQuando as crian\u00e7as desapareceram, fui \u00e0 janela.<br \/>\n&#8220;Mas que raio, com este frio anda esta canalha na rua! J\u00e1 basaram?&#8221;<br \/>\nFoi ent\u00e3o que vi uma ab\u00f3bora \u2013&nbsp;linda!&nbsp;\u2013&nbsp;que a minha vizinha (do norte, que se diga) tinha colocado \u00e0 entrada, e reparei na alegria com que ela voltava para casa com o saquinho das ofertas que tinha feito \u00e0s crian\u00e7as.<br \/>\nUps!<br \/>\n&#8220;Carlota Scrooge&#8230; sua feia!&#8221;<br \/>\nVoltei para o sof\u00e1 e escondi-me debaixo da manta, desta vez, com vergonha.<br \/>\nSenti-me pior que a personagem do conto do Charles Dickens.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, nunca mais repeti a fa\u00e7anha e todos os anos tenho umas coisinhas \u00e0 espera das crian\u00e7as. Entretanto, a Ca cresceu e tamb\u00e9m ela quer sempre organizar o seu jantar do Dia das Bruxas, c\u00e1 em casa.<br \/>\nD\u00e1-nos trabalho? D\u00e1.<br \/>\nAs mi\u00fadas s\u00e3o umas hist\u00e9ricas? S\u00e3o.<br \/>\nSuplicamos&nbsp;que n\u00e3o nos pe\u00e7am para ir com elas bater de porta em porta? Sim!<br \/>\nMas, no final, \u00e9 maravilhoso ver a alegria com que elas celebram esta noite.<br \/>\nPor aqui, h\u00e1 muitos Scrooges, muitas portas que n\u00e3o abrem&#8230; e noto que, de ano para ano,&nbsp;h\u00e1 cada vez menos crian\u00e7as na rua. Agora, refugiam-se, fazem a festa dentro de casa e n\u00e3o saem tanto \u00e0 rua porque pouco acontece&#8230;<br \/>\nTenho pena.<br \/>\nPondo de&nbsp;parte a quest\u00e3o comercial e a &#8220;americaniza\u00e7\u00e3o&#8221; da coisa, esta n\u00e3o deixa de ser uma tradi\u00e7\u00e3o nossa, tamb\u00e9m. Por isso, vamos&nbsp;exorcizar os medos da morte e fazer qualquer coisa nesta noite! Claro que, c\u00e1 em casa, h\u00e1 jantarada. Claro que vai dar trabalho. Claro que vai haver gritaria&#8230; mas ser\u00e1 que vamos com elas bater de porta em porta? Este ano, acho que v\u00e3o sozinhas&#8230;<br \/>\nN\u00f3s, j\u00e1 andamos em congemina\u00e7\u00f5es! E para vos inspirar, aqui ficam umas imagens dos anos anteriores:<br \/>\nLuz negra no hall de entrada, teia (de compra; um saquinho deu para dois anos), algumas aranhas&#8230;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1260\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_1.jpg\" alt=\"halloween_1\" width=\"800\" height=\"1314\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRatos por todo o lado, que recort\u00e1mos em vinil preto e col\u00e1mos em s\u00edtios estrat\u00e9gicos&#8230;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1267\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_8.jpg\" alt=\"halloween_8\" width=\"1100\" height=\"761\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1261\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_2.jpg\" alt=\"halloween_2\" width=\"761\" height=\"1100\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE passamos do azul terr\u00edfico para o vermelho sangrento, no andar de cima&#8230;<br \/>\nMorcegos (recortados em cartolina&nbsp;preta&nbsp;e pendurados com fio de nylon), um candeeiro fantasma (feito com um len\u00e7ol velho, rasgado e dois olhos recortados em vinil autocolante preto), mais teias e mais aranhas&#8230; a cor deste ambiente&nbsp;foi dada com um tecido de forro vermelho a envolver dois candeeiros&nbsp;de parede.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1262\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_3.jpg\" alt=\"halloween_3\" width=\"761\" height=\"1100\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComidinhas&#8230; coisas pelas quais elas &#8220;se matam&#8221;, como salsichas \u2013 cachorros de dedos ensanguentados e m\u00famias envolvidas em massa quebrada \u2013, esparguete negro com carne picada e umas formigas grandes e negras.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1264\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_5.jpg\" alt=\"halloween_5\" width=\"1100\" height=\"761\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1265\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_6.jpg\" alt=\"halloween_6\" width=\"1100\" height=\"761\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE para ado\u00e7ar tanto terror, uma mousse de chocolate com bolacha ralada e larvas, ab\u00f3boras tangerina e bananas fantasma.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1266\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_7.jpg\" alt=\"halloween_7\" width=\"761\" height=\"1100\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1263\" src=\"https:\/\/52.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/halloween_4.jpg\" alt=\"halloween_4\" width=\"761\" height=\"1016\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDepois disto, n\u00e3o me digam que n\u00e3o se sentem inspirados&#8230; Pelo menos, ter\u00e3o um saquinho de guloseimas, para o caso de vos baterem \u00e0 porta, n\u00e3o?<br \/>\nBoa bruxaria! (Depois conto como foi a nossa \ud83d\ude09 )<br \/>\nCarlota<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pois \u00e9&#8230; o Dia das Bruxas est\u00e1 quase a\u00ed. Ainda me lembro, quando era pequena, no Minho, ouvir cantar&nbsp;\u00e0 porta da casa da minha av\u00f3&nbsp;&#8220;Bolinhos e bolinh\u00f3s&#8221;. Se abr\u00edssemos a porta, corria tudo muito bem&#8230; se n\u00e3o, ui!, era um chorrilho de asneirada e achincalhamento como&nbsp;s\u00f3 no norte sabem fazer! Independentemente da cantoria, havia sempre muitas partidas, que os vizinhos faziam uns aos outros. Lembro-me de ir \u00e0 missa, no dia seguinte, e encontrar&nbsp;os&nbsp;vasos do vizinho na varanda&nbsp;de outro&#8230; e lembro-me das risotas de quem &#8220;n\u00e3o fui eu&#8221;. Depois de ter ido morar para a cidade (e ter passado a adolesc\u00eancia e juventude) deixei de ligar a essa tradi\u00e7\u00e3o e o Dia das Bruxas n\u00e3o fazia mais sentido. At\u00e9 que, h\u00e1 uns anos atr\u00e1s, algo em mim aconteceu&#8230; um milagre (&#8220;de Natal&#8221;). Estava escuro e frio&#8230; e eu deitada no sof\u00e1, a ver televis\u00e3o. Grupos de crian\u00e7as passavam pela nossa casa, batiam \u00e0 porta&#8230; e eu fingia que n\u00e3o estava ningu\u00e9m. A Ca era beb\u00e9 e dormia&#8230; e eu at\u00e9 apagava todas as luzes para esquecerem que exist\u00edamos&#8230; Na rua, a barulheira era infernal! Quando as crian\u00e7as desapareceram, fui \u00e0 janela. &#8220;Mas que raio, com este frio anda esta canalha na rua! J\u00e1 basaram?&#8221; Foi ent\u00e3o que vi uma ab\u00f3bora \u2013&nbsp;linda!&nbsp;\u2013&nbsp;que a minha vizinha (do norte, que se diga) tinha colocado \u00e0 entrada, e reparei na alegria com que ela voltava para casa com o saquinho das ofertas que tinha feito \u00e0s crian\u00e7as. Ups! &#8220;Carlota Scrooge&#8230; sua feia!&#8221; Voltei para o sof\u00e1 e escondi-me debaixo da manta, desta vez, com vergonha. Senti-me pior que a personagem do conto do Charles Dickens. Desde ent\u00e3o, nunca mais repeti a fa\u00e7anha e todos os anos tenho umas coisinhas \u00e0 espera das crian\u00e7as. Entretanto, a Ca cresceu e tamb\u00e9m ela quer sempre organizar o seu jantar do Dia das Bruxas, c\u00e1 em casa. D\u00e1-nos trabalho? D\u00e1. As mi\u00fadas s\u00e3o umas hist\u00e9ricas? S\u00e3o. Suplicamos&nbsp;que n\u00e3o nos pe\u00e7am para ir com elas bater de porta em porta? Sim! Mas, no final, \u00e9 maravilhoso ver a alegria com que elas celebram esta noite. 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