Trabalhar fora de casa

Trabalhar fora de casa

No outro dia perguntaram que tal nos estamos a dar a trabalhar fora de casa. Já faz mais de um ano que, por razões profissionais (de negócio), mudámos o nosso atelier (por baixo de casa) para um novo espaço, a quinze minutos de distância. Quinze minutos é nada e, por isso, nem me vou dignar a queixar da distância!… mas o certo é que esta nova forma de vida se tem refletido na nossa relação com a casa. Por um lado, deixou de ser local de trabalho para passar a ser apenas local de descanso. Até aí, perfeito! Por outro, por ser local de descanso, pouca energia resta para aqui fazer qualquer coisa. Além disso, perdemos tempo e foco nas viagens para lá e para cá. Antes, podíamos ir buscar ou levar a nossa filha a qualquer lado, chegar a casa e continuar a trabalhar, podíamos “ir lá abaixo” à noite, começar a trabalhar mais cedo, sair mais tarde ou até mesmo “fazer perninhas” a qualquer hora do fim de semana. Agora, se estamos em casa, custa mais sair até ao trabalho e, mesm0 assim, o tempo que estamos em casa é muito pouco para o que ela precisa de nós e da nossa atenção.

Eu sei, eu sei, muitos de vós dirão: “bem-vinda ao mundo real!” E eu sei bem o que é trabalhar fora de casa, porque o fiz muito tempo, antes de termos empresa própria. Mas, depois, experienciei o trabalho no ninho e posso dizer que era muito bom… mesmo tendo o trabalho à porta o dia inteiro e todos os dias do ano. Obviamente, os motivos pelos quais mudámos as instalações da empresa foram e continuam a ser mais fortes e em nada nos arrependemos da mudança. Não há como! Não haja dúvidas que adoramos o nosso “armazém” e que nos sentimos lá muito bem. Não há dúvidas que é um espaço mais condizente com o estado atual da empresa, muito mais adequado à receção de clientes e fornecedores. E não há dúvida que quando saímos do trabalho, ele fica lá (o que não é, de todo, bom). Mas, onde quero chegar, é que sinto falta do ninho e o ninho tem sentido a nossa falta. A comprová-lo, uma série de situações por resolver e o sentimento de “algum cansaço, falta de tempo e pouca disponibilidade”.

(Sim, situação “cabos” por resolver, entre vários outros…)

(… mas árvore de Natal montada para animar o espírito.)

Pesa ainda o facto de, com a mudança, a empresa também estar a precisar muuuuito de toda a nossa dedicação, como também o facto de eu estar a tirar o curso de design de interiores, que acontece todos os sábados, o dia todo, sobrando apenas o domingo para fazer tudo o que esta casa precisa – dia em que já só queremos papas e descanso – e pesa, também, o facto de estarmos com sérios problemas no telhado, o que causou danos no interior da casa (com várias divisões afetadas e muita coisa fora do sítio)…

Enfim, isto é a vida… e, francamente, problemas de Primeiro Mundo…

Hoje, fiquei a trabalhar em casa. Sentada no sofá, com o computador no colo, olhando em volta, mesmo com todos os problemas que esta casa tem para resolver, pude sentir que não há como o nosso ninho e, bem ou mal, com mais ou menos cansaço, um dia de cada vez, vamos dando o nosso melhor para manter as palhinhas arrumadas. E mais ou menos arrumadas, haverá, aqui, jantarinho de Natal com os amigos, já esta semana, porque nada como rechear a casa de amor e amizade para esquecer os problemas menores que nos aperreiam.

Carlota

1 Comentário
  • maria fatima carvalho
    Publicada às 09:27h, 11 Dezembro Responder

    A nossa vida e feita de mudanças…! e a minha é o exemplo disso. Perdemos ou deixamis de ter algumas coisas de que gostávamos mas ganhamos muitas outras que, concerteza, têm um valor muito superior.
    És uma guerreira e, como tal, peço aos Céus que te abençoe e te dê muita sorte e alegrias. Um beijinho da tia/madrinha que te adora.

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