Quatro anos, o que mudou em nós.

Quatro anos, o que mudou em nós.

Faz quatro anos que começámos este blog. Na génese da sua criação está uma vontade de tornar a nossa casa e o atelier locais tranquilos, organizados e inspiradores. Espaços que nos ofereçam uma vida melhor, onde nos sintamos bem, onde gostamos de viver, trabalhar e relaxar. Trabalhar este ambientes – e, consequentemente, organizarmo-nos – era a prioridade, assim como educar a nossa filha, dando o exemplo, no sentido de se permitir ser mais desapegada das “coisas” e mais arrumada. Quatro anos depois, será que o conseguimos? Como está a nossa casa, hoje? E o atelier? E nós? O que mudou e o que continua na mesma?

No início deste ano, coloquei-me estas questões. Tenho estado, então, a reparar em tudo! Entro em casa e penso no que mudou e no que se mantém, entro na sala e penso como era antes, vou à cozinha e penso qual é a diferença, abro uma gaveta e penso se há diferença, arrumo a roupa no roupeiro e penso no que mudou,… e assim se têm passado as últimas semanas. 🙂
Confesso que houve situações em que tive que puxar mesmo pela cabeça para recordar como era antes. Outras houve em que não foi preciso porque pouco mudou. No final, chego à conclusão que muito mudou e muito ainda pode e deve mudar… Tratarei de fazer uma lista de tudo mas, hoje, debruçar-me-ei apenas em nós.

2016-2020, o que mudou em nós

Sim, hoje somos todos bastante mais organizados. Hoje, entendo que a organização pode mesmo mudar a nossa vida para melhor, a nossa energia, o nosso bem-estar; para mim é claríssimo, agora, que uma casa com organização e destralhada é muito mais fácil de limpar, é mais luminosa, tranquila e equilibrada.
Aqui a Carlota, de 2016 para cá, fez um curso de Organização, estudou o assunto, leu sobre isso, descobriu outros estilos de vida com princípios muito interessantes e é hoje, também, uma pessoa mais organizada (sem extremismos) e mais destralhada (sem minimalismos). Em 2018, em conjunto com o Marcelo e a Cá, destralhámos um objeto por dia (mais do que isso, até). Hoje, dou mais valor às coisas, considero bem as novas aquisições que faço e aprecio melhor o que temos.
Outras mudanças em mim: deixo a secretária arrumada a cada final de dia, guio-me muito por listas e pela minha agenda pessoal. Apercebi-me que gosto de acordar muito cedo e de usar esse tempo só para mim.
Aprendi muito nas artes da bricolagem e tenho mais coragem para pegar no berbequim e fazer um furo na parede, embora ainda considere que é pouco. Quero saber mais e fazer mais, sem precisar da ajuda do homem da casa.

A nossa Cá…
A nossa miúda cresceu muito, claro… e – boas notícias – passou de acumuladora a seletiva, de desarrumada a organizada.
Obviamente, cresceu, deixou de ser criança.
Mas há crianças muito arrumadinhas e desapegadas (não era, MESMO, o caso dela)
e jovens que são tão desorganizados como crianças pequenas…
… e, hoje, não é, definitivamente, o caso da nossa!
…apesar de ter aqueles típicos momentos da pilha gigantesca de roupa a equilibrar-se na cadeira do quarto, e da secretária completamente coberta de tudo e mais alguma coisa, e de achar que nunca tem tempo para fazer a cama de manhã.
Mas, depois, tem um momento, uma tarde, um dia, em que é uma verdadeira “organizadora” e resolve meter mãos à obra decidindo arrumar tudo, organizar, colocar em caixinhas, em gavetas, selecionar coisas para dar,… SIM! Já não se importa de se desapegar de “coisas”.
O que provocou esta mudança? O que é que eu aprendi?
Isto: se as crianças são desarrumadas, a culpa é nossa. Sim, é mesmo nossa. Como pais somos responsáveis por ensiná-las a ser organizadas, como as ensinamos a comer com talher, a vestir-se, a comportar-se à mesa, etc. E temos que lhes dar as ferramentas certas para isso: armários, gavetas, caixas, esquemas de organização,… sem as soluções certas, é impossível ser-se arrumado.
Se em 2016 nós começámos a fazer esse trabalho para ela, por ela e com ela – e arrumar o quarto tinha que partir sempre de nós – hoje já o faz sozinha, quando se apercebe que tem que ser, que está na hora. E eu deixo esticar um bocadinho até ela se aperceber, senão, basta dizer “tens que arrumar este quarto” e a coisa acontece. 😉

Isto, foi o que mudou no quarto dela:

Mas uma coisa não mudou: a sua paixão por criar!
Está no 10.º ano, em Artes e continua, sempre, a “inventar”.

Agora o pai… ai, o pai…
também mais organizado e ciente da necessidade de organização, também destralhou, mas não tem o mesmo entusiasmo das miúdas. E ainda reclama com uma ou outra “mudança organizacional”, do género: “Pronto, lá está ela com a mania da organização”. Ao mesmo tempo é capaz de dizer: “Vou precisar dos teus serviços de Personal Organizer” num misto de sarcasmo e assunção. E pronto, lá vamos melhorando os seus espaços. Ele, com a minha colaboração.
(Eu sei que ele aprecia muito todas as mudanças, nestes anos. 😀 )
Bom, quanto à bricolagem, desenvolveu competências absolutamente fora do normal! A tal ponto que temos agora, no atelier, um departamento de produção, uma oficina dirigida por ele.
(As miúdas da casa estão muito orgulhosas, apesar de ter agora menos tempo para os pedidos delas… lá está, vão ter que aprender também a usar as ferramentas elétricas e a ser mais independentes.)

Para terminar, uma grande mudança num hábito nosso, este implementado pelo pai, e que fez muita diferença no modo como nos sentimos melhor em casa, a saber: sapatos da rua não passam do hall de entrada. Ah, pois é! O menino tanto insistiu que já nos entrou no sangue! E acreditam que foi a mim que mais custou esta mudança? É que chego sempre carregada de sacos e, para me descalçar, tenho que os poisar no chão, para depois os voltar a pegar, e voltar a poisar quando subo as escadas, para, muitas vezes, voltar a descer e calçar-me para voltar a sair… dá uma preguiça… mas – isso é verdade! – não há como olhar para o chão da nossa casa e sentir que nos podemos deitar nele. Podemos andar descalços, gatinhar, até comer uma migalha que caiu!
Hoje, no dia a dia, ninguém ciranda pela casa com o calçado da rua. Feito! Esse desvario só é permitido em dias de festa, de entra e sai, e às visitas.

Mudanças em nós… acho que é isto. Desse lado, vocês notaram outras?
Eu sei bem quem está por aqui há já quatro anos, connosco. Talvez tenham outra perspetiva. Digam lá. 😉

Carlota

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