Oficina

A vida tem destas coisas: um dia estamos muito bem (ou não) a trabalhar no nosso cantinho, e no outro já estamos num virote, com todas as perspectivas alteradas, com mil mudanças e a cabeça a tentar acompanhar! Pois é, pessoal, há muita coisa nova a acontecer por aqui, neste verão. Tudo...

E aqui está ela, a nossa nova bancada móvel! Se tudo correr conforme previsto, ou seja, bem, daqui para a frente aparecerá muitas vezes nos nossos vídeos e fotografias. Com rodízios de um lado para a deslocarmos mais facilmente e pés fixos do outro para lhe dar mais estabilidade e servirem como travão, vai da oficina para a rua com a maior das facilidades. Os rodízios são uns "todo o terreno" que nos serviram para outro trabalho e que agora reaproveitámos, já que neste empedrado montanhoso que rodeia a nossa casa — a Cordilheira Cinquenta e Dois — só com uns rodízios assim! Tem ainda uma prateleira inferior e uma extensão com dez tomadas e interruptor. Vamos ver que maravilhas faremos nós com ela, agora! Pelo menos não haverá apelos e chamamentos para ajudar a transportar a mesa daqui para ali e dali para aqui. ;-) Querem ver a sua execução? Temos vídeo no Youtube. Se gostarem, estejam à vontade para fazer igual...

A organização da nova oficina está a dar que fazer. Como era um espaço vazio, um telheiro que fechámos, tudo tem que ser, agora, pensado e criado de raiz para as reais necessidades que temos tido nos últimos anos. Depois de termos arranjado uma solução para as traves de madeira mais compridas, arranjámos agora duas outras: uma estrutura amovível, com rodízios, para as tábuas mais pequenas, e um sistema de organização de pequenas calhas, varas, varões e varetas, a partir de tubos de cartão.     Tubos como estes podem ser arranjados em gráficas de impressão digital (dos rolos de papel de impressão). Normalmente, vão para o lixo. Os nossos, foram comprados para um projeto e sobraram bastantes....

Pois é, arrumada a oficina, que virou estúdio, há que arrumar agora o telheiro, que entretanto fechámos e virou oficina. Isto é, a antiga oficina é agora o local onde fazemos os trabalhos limpos — pinturas delicadas, arte, maquetes, obras sem cheiros fortes, sem pó ou serradura — e o telheiro, que era a entrada para o atelier, foi fechado de um dos lados com parede, pelo Eme (mais uma das suas obras corajosas) e, do outro lado, com uma porta de garagem, e, aqui, fazemos as obras maiores, como se estivéssemos na rua, mas sem estar dependentes das condições atmosféricas. Devo dizer, que já esculpimos em esferovite todo um tronco de árvore (gigante!) dentro do atelier...

E pronto! Custou mas ficou! Os dias frios, escuros e chuvosos não foram entusiasmantes para terminar logo esta tarefa, mas eis que um sábado nublado foi motivador o suficiente para me empurrar para a oficina e terminar o que já há algumas semanas tínhamos começado!       Gavetas velhas encerram cartas antigas; a minha jarra do coração (prenda de casamento), traz trinchas e pincéis na cabeça (como eu).     Esboços, desenhos e rabiscos soltos — que se encontram por aqui em pilhas e pilhas de papel! — organizados em placas de contraplacado, voltam à vida!     O resto, já conhecem, daqui. Agora que tudo tem o seu lugar, as obras podem continuar. É que esta divisão já foi um quarto e uma casa de banho "mal amanhados". O Eme já fez muito aqui! Mandou paredes abaixo, destruiu a casa de banho,  fez uma porta nova, construiu as bancadas, isolou as paredes com lã de rocha e forrou tudo a madeira, entre muitas outras coisas que já nem me lembro! Sózinho, o pobrezinho! Falta terminar a porta de entrada e outros pequenos pormenores. Tudo se fará...

Os planos para o fim-de-semana vão sempre muito para além do tempo disponível para os concretizar. Ainda assim, não me sinto frustrada. Foram dois dias muito produtivos: almoço em família, compras para a despensa, "jeitinho" no hall de entrada, que mais parecia o Depósito dos Sapatos (implica arrumos por baixo das escadas e telheiro à entrada de casa), corri os meus primeiros 5kms, hoje de manhã - uhuuuuu! - e...